GEOMETRIA DO QUADRO DE BMX

Nesta matéria vamos falar sobre geometria de quadro. Uma boa oportunidade para olharmos de perto o que são aqueles números com 74.5°, 13.25” e 71°, o que realmente significam e como isso pode mudar a maneira como você se sente em cima da BMX.

Ao longo dos anos os quadros BMX foram melhorados, umas e outras vezes para não só oferecer um produto superior, mas um quadro que é realmente projetado para o tipo de role que você está fazendo.

Nos dias de hoje muita coisa mudou, e o que vemos é uma serie de micro ajustes acompanhando tendência e até micro detalhes sendo adicionados para trazer um maior destaque ao quadro.

Se você considera comprar um quadro novo, ou esta apenas curioso para entender como funciona a geometria da sua bike, continue lendo.

Muitas dessas medidas são responsáveis por trazer mais ou menos agilidade, estabilidade, posicionamento e espaço que devem ser adaptados ao seu tamanho e principalmente estilo de andar de BMX.

Vamos começar falando do TOP TUBE: 

A referencia certa para medir o comprimento deste tubo é a distancia entre o centro do tubo da direção e o centro do tubo do canóte. O tamanho do “Top Tube” geralmente é relacionado ao tamanho do atleta.

Normalmente recomendasse esta combinação abaixo:

Obs: estas medidas de TT são as mais comuns no mercado, existem outras medidas não tão usadas no mercado.

IMPORTANTE: Isso é apena uma referencia e não uma regra. Muito pilotos tem preferência medidas totalmente diferentes a recomendada, que tem muita relação com o estilo de andar.

Em geral é fácil perceber se uma BMX esta grande ou pequena para o praticante, ela fica desconfortável e nada natural sobre a bmx.

Um quadro com o “TT” longo trás a sensação de uma BMX mais estável porque suas rodas estão mais distante, o que chamamos de ENTRE-EIXOS.

O atleta também ganha mais espaço entre o banco e o guidão, o que ajuda para algumas manobras, principalmente de torção.

Já uma BMX com um quadro curto, aproxima o “entre-eixos”, deixando a bike ainda mais ágil ( rápida, arisca ).

Este detalhe do “entre-eixos” pode também ser alterado pelo ângulo da direção, canóte e traseira, assunto que vamos falar nos próximos capítulos.

É muito comum que atletas do street prefiram quadros um pouco abaixo do sugerido para o seu tamanho. No street a necessidade de uma bike mais ágil é bastante. As manobras são muito próximas do chão e uma bike ágil permite combos de giros ainda mais absurdos.

Uma bike longa tras mais estabilidade principalmente para quem salta, como no dirt, park, vert.

É claro que existem as exceções, estamos falando de FREESTYLE onde todo mundo encontra o seu melhor jeito de andar.

 

Nos dias de hoje os quadros são fabricados com ângulo de direção entre 76° e 74°. Este ângulo é responsável pela posição do garfo na bike. Difícil acreditar como 1 grau ou até meio, fazem tanta diferença em uma BMX.

A primeira diferença é na sensação geral da bike, mais uma vez o “entre-eixos” da bike é alterado.  A posição da direção projeta 315mm para baixo, que é a altura padrão de um garfo de BMX. O resultado é bem nítido na imagem, de um grau para o outro, o entre-eixos muda consideravelmente.

Existe também a diferença de estabilidade, o garfo projetado para frente, 74°, trás mais estabilidade e firmeza na direção da bike. Muito comum no dirt e vertical.

Já um garfo mais para trás, 75°, por exemplo, deixa a direção da bike mais rápida e arisca, ideal para manobras de giro e nose muito comum no Flatland e nos dias de hoje, bastante procurado pelo Street.

Mostrando esta diferença de forma mais técnica. No gráfico abaixo você pode ver dois pontos, o azul representa o ponto fixo de toque do pneu no chão. O vermelho representa a projeção do ângulo da direção (HEAD TUBE ). Note que a distanciam entre estes dois pontos é maior no grau de Head Tube 74° do que no de 75°.

Quanto mais próximo o ponto vermelho ( Head Tube ) estiver do ponto fixo azul, melhor é a resposta ao movimento da direção. Isso faz com que esta resposta imediata faça a direção ser mais rápida e arisca.

Na ilustração abaixo você pode ver que com o mesmo movimento na direção o resultado do Head Tube 75° é mais responsivo do que do 74°.

 

Seat Tube - Ângulo do tubo canóte.

O ângulo do tubo do canóte é outro componente chave na sensação geral de uma bike. Muitos modelos de quadros optam por usar o ângulo de 71° no Seat Tube, considerado uma referencia tradicional. Mas encontramos sim alguns quadros com este ângulo diferente, alguns 70° outros 69° e assim vai.

Mas em que isso realmente altera em um quadro?

O ângulo do Seat Tube pode alterar a sensação geral do comprimento do quadro sem alterar o tamanho do TOP TUBE.

Exemplo:  Imagine um quadro com o padrão de Top Tube 21” e Seat Tube 71° para um cara de 1.80m de altura. O Top Tube 21” oferece o espaço suficiente para suas pernas, manobras e postura sobre a bike.  Mesmo assim ele precisa de um quadro com o entre eixo mais curto, rápido, sem perder esse espaço sobre a bike.

Ele pode partir para um quadro com o mesmo Top Tube 21” e o Seat Tube alterado para 70°. Ele vai ter a sensação e agilidade de um quadro Top Tube 20,75” ou 20,8” sem ter perdido o seu espaço de 21” no Top Tube.

Confira na ilustração abaixo:

Basicamente o efeito que você tem no grau de um Seat Tube abaixo do tradicional 71° é a sensação de estar usando um quadro mais curto do que se realmente vê através do TOP TUBE.  Esta sensação também pode ser sentida em menos escala como a altura do SEAT TUBE. 

 

A altura do Seat Tube é algo menos complexo do que a diferença de ângulo que ele pode ter, matéria que falamos anteriormente ( ÂNGULO DE SEAT TUBE ). Sem duvida é a mudança em um quadro que mais se nota de um para o outro. Também altera a sensação da bike no role.

Um quadro com o Seat tube de 10” por exemplo, é considerado um quadro alto, ele permite que o banco fique mais próximo dos joelhos sem levantar tanto o canóte, facilitando manobras como Barspim e variações.

Já um quadro com o Seat Tube de 7” por exemplo, é considerado baixo, facilita manobras como o Tail Whip e variações, pelo simples fato de ter mais liberdade na passagem das pernas.

Tem muita relação com a parte estética da bike, uma preferência que varia de pessoa para pessoa.

Uma ultima curiosidade sobre este tema é que com um quadro baixo se sente menos a diferença de ângulo de 69° para 71° do Seat Tube, porque a distancia de projeção é menor.

 

Para quem não conhece o movimento central, é aquele lugar no quadro onde é colocado o pédivela que você pedala. Ele tem uma relação muito grande com sensação de pilotagem. No BMX a maioria dos quadros optam por medidas entre 11.5” e 11.75” de altura.

Um movimento central baixo, 11.5” por exemplo deixa a sua bike com mais estabilidade, confiança, muito confortável de pilotar, principalmente em curvas e transições. Já um central mais alto, 11.75” torna a pilotagem mais rápida, responsiva, mais fácil de girar. Muito procurado no Street.

Mas como isso é medido?

Na realidade esta medida é feita usando os padrões de uma BMX com as rodas tendo exatamente 20”. Com uma bike montada, esta medida é feita a partir do chão até o centro do tubo do Mov. Central.

No desenvolvimento de um quadro, simplesmente ele consideram a altura do eixo da roda, descontando 10” que é a metade do diâmetro. Projetam esta linha usando de referencia para o restante da medida. 1.5” por exemplo, somando as duas 10” + 1.5” = 11.5”

Esta medida pode ser alterada dependendo da combinação de pneu que você usa. ( Em breve vamos falar sobre isso ).

Obs. As medidas 11.5” e 11.75" são apenas referencias extremas, existem varias outras medidas usadas pelas marcas.

Dica: A alteração da altura do Movimento Central vai mudar a sua posição sobre a bike. Se o central aumentar é importante que você reajuste a altura do Guidão tambem e reveja a melhor posição na sua bike.

 

Finalmente chegamos a referencia de medida mais procurada e discutida nos fóruns e lojas de BMX pelo Brasil.  

Esta referencia é medida do centro do Bottom Bracket até centro do eixo do cubo levado ai limite da gancheira. Medidas que vão de 14” considerada uma traseira longa, até 12.5” considerado uma traseira curta.

Esta referencia tem ligação direta com a mudança do “ENTRE EIXOS” responsável por deixar a bike mais agressiva ou estável. Um entre eixos curto, responsável pela redução da traseira, vai fazer a sua bike ser mais agressiva de resposta rápida, principalmente para manobras com base de giro, como 360° e TailWhip. Trás também a sensação da frente da bike mais leve e mais fácil de pilotar "NO CHÃO".

Mas atenção, uma bike com entre eixos curto, em SALTOS, sofre bastante com falta de estabilidade e confiança, o que já não acontece com um quadro com o entre eixo maior, responsável pelo aumento da traseira.

Em geral praticante de Street e Flatland preferem traseiras menores, ao contrario do Dirt Jump e Vertical. Nos dias de hoje a pratica do BMX esta ficando cada vez mais overall, muitos dominam duas ou mais modalidades, e até mesmo modalidades que mesclam atividades de saltos e street, como o PARK por exemplo. Por isso muitas marcas ainda optam por desenvolver medidas de traseira de quadro medianas, algo entre os extremos de 14” e 12.5”.

Obs.: Todo quadro revela a medida mínima que a traseira permite, mas ela não é a única medida que você pode usar. Em 95% dos quadros a fenda da gancheira, onde vai o eixo do cubo, permite medidas de chainstay um pouco maior do mínimo descrito.


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